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10 setembro 2013

Meu lar


ㅤㅤㅤEu estava em choque. Sem rumo, flutuando em maus pensamentos. Ela foi embora, pensei. Só ela se importava... Me acolhi em sua cama, deixando a lamparina ao lado da moldura que destacava uma imagem sua algumas decadas mais jovem. Enquanto me empanturrava de balas de canela, nossas preferidas, observei o fogo se  alimentar da cera pálida. Era lindo. Dançava, crescia sobre a mesa e de forma  delicada me lembrava o céu em seu tom mais azul. A medida que a vela queimava a  chama se tornava maior, como foi com você. 
ㅤㅤㅤEnquanto o tempo consumia seus dias eu via toda sua energia se refletir ao redor,  os olhos cresciam mais sobre você... não de maneira ruim, de maneira doce. Todos a  adoravam.E todos nós sabiamos do quanto havia nos ensinado. O tempo te puxava  forte, mas você resistia inssistindo em fazer parte de meus dias, de cada um deles  até que eu estivesse pronta. 
ㅤㅤㅤMe peguei conversando em pensamentos com a pessoa que mais me encantou, não me  importei. Eu estava só naquele momento, mais só do que nunca estive. Deixei as  lembranças me abracarem, deixei que o cheiro adocicado do seu talco predileto  penetrasse em mim, mesmo que ele nem mesmo estivesse lá. Tudo que era seu agia como  você, memorável, inesquecível. Fechei os olhos, respirei fundo e numa troca justa lágrimas desceram pela minha  pele aquecida, me trazendo a sensação de conforto. O celular tocou baixinho, não lembro se tinha som ou se apenas tinha vibrado, mas foi como um estardalhaço. Atendi as pressas...

— Vem pra casa agora. 
— Estou em casa mãe, na minha casa.

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Esse é um trecho de um livro que pretendo escrever, ele tem algumas poucas páginas, e só escrevo quando me sinto inspirada então, pode ser que ele esteja pronto só em alguns anos, HAHAH. Beijinhos <3 Tatá Kortschinski



18 julho 2013

Crônica à Solidão

Às vezes olhamos pela janela e não vemos luz alguma, pois a chuva é tão intensa que cega-nos da luz do sol. Ou deixa-nos vendados sob os olhos, para que não vejamos luz alguma, mesmo no fim do túnel. Há quem goste do frio e da chuva, eu sou um rapaz que adora isso. Por outro lado, às vezes sinto-me extremamente só mesmo em dias chuvosos, os quais gosto de sentar, ouvir uma música e escrever. Sinto-me só, hoje compreendo, pois há horrores em meu passado que jamais irão cicatrizar. Sempre fui tímido demais, e isto distanciou-me das pessoas. Quando fui arriscar um primeiro beijo, ganhei um tapa-na-cara. Quando quis sair para passear com os meus amigos, via-os rindo todos juntos, sem se importar se eu estava bem ou não. Quando os períodos de escola acabaram, cada um foi para um canto e combinaram de se reencontrarem novamente. Almoço na casa do fulano tal, jantar na chácara do ciclano tal. Sempre esperei convite, mas nunca vi suas cores. Pelo menos até entrar na universidade, estive sozinho. Quiçá um ou dois amigos mais importantes, muitos colegas de aula mas pouquíssimos amigos. Há diferenças entre colegas e amigos, e sentir a dor de ter muitos de um e nenhum de outro é castigo que ninguém merece receber. As pessoas me questionam. Rodrigo, tu não vais pegar aquela menina?, Rodrigo, tu não vais sair conosco e encher a cara?, Rodrigo, para quê escrever tanto, deixa de lado o papel e vem pra festa!. Elas não compreendem minha dor, no entanto, meu passado funesto. Sempre estive sozinho, por isso meu amor e respeito para o sexo oposto, o qual sempre me interessei instintivamente, foi moldado em torno de um grande recipiente de respeito e admiração. Mulher não se pega como um jarro d'água, mas sim se conquista com tempo, carinho e compreensão. Não gosto de encher a cara, só bebo em festas. Afinal, uma felicidade passageira não apagará a melancolia de meu passado. Quanto a largar os textos, seria o mesmo que cometer suicídio. Tendo quando mais jovem pensado nesta sugestão como uma saída para o inferno solitário em que vivia, optei pelas letras como um escape daquele horror. Sem elas, sinto que não serei nada. A vida felizmente é curta demais para ser tratada como um jogo de cartas, um pôker ou uma trinca de sete. Pergunto-me qual o sentido de pensar e pensar antes de cada movimento quando podemos simplesmente ir adiante e ser felizes, cada qual com seu jeito único de agir, cada qual seguindo suas crenças e desejos e sorrindo, encarando um futuro desconhecido de braços abertos.

Texto do Rodrigo Rossi do blog Vivendo um Romance.

09 julho 2013

Final feliz?

ㅤㅤㅤA única coisa no mundo que você pode considerar "final feliz" é o que ocorre após a sua morte. E é nisso que você tem que se focar. Porque o único final que existe, bem... é a morte. Então se pra você a felicidade presente nessa morte tá em encontrar a Deus, você vai viver a vida de uma maneira. Se essa felicidade está relacionada a ter experimentado todos os prazeres da vida você vai viver de uma outra maneira. Mas não existe final feliz enquanto estamos vivos. A gente precisa viver cada dia de uma vez, porque todo dia tem um pouco de sal e açúcar. E o que você precisa se focar é no que você vai fazer agora, e não depois.
ㅤㅤㅤO único caminho que você tem que traçar é aquele que vai te levar pruma morte gratificante. A gente tem que batalhar pra que todo segundo da nossa vida, ruim ou bom, esteja nos levando prum fim do qual nos orgulhemos. De uma maneira ou de outra, a gente tem que viver cada segundinho da nossa vida de forma intensa. E o único interesse no amanhã que a gente pode ter é em imaginar que se pudermos olhar pra trás depois de mortos, vamos ter orgulho de como aconteceu. 
ㅤㅤㅤToda rota que a gente traçar na vida tem que ser pensada, é claro, mas não nessa fome de resultados que não cessam nunca. Se a gente precisa trabalhar é porque precisa agora, é porque vai contribuir pro que você quer ter sido quando se for. Então faz o que tem que fazer hoje, por hoje, não pelo amanhã. E lembra sempre do amor depositado no que você faz, lembra sempre que você é feliz e triste todo santo dia, e que não é o seu desejo que vai trazer alegria. Porque se você fica pensando que final feliz é você casar e morar num castelo, se você morrer amanhã, vai morrer triste? cê vai ser triste a vida toda até casar?

30 junho 2013

Irmãos Amores


ㅤㅤㅤ"Olá, meu amor. Queria poder lhe falar algumas palavras, posso? Então chegue, aconchegue-se neste cobertor e deixe-me lhe falar que, entre outras coisas, o amor fraternal que sinto por você nunca poderá ser medido em palavras, símbolos ou numéricos, pois é um sentimento forte que ressoa em meu peito tão intensa e duradoura como os nossos laços de amizade e carinho.
Trata-se de um sentimento perigoso, é verdade, muito ácido e corrosivo, e que se fingirmos não olhá-lo irá aos poucos destruir-nos por inteiro, retirando-nos de nosso próprio corpo físico e unindo-nos sempre mais e mais em espírito e carisma, reconstruindo-nos como irmãos-amigos, irmãos-amores e irmãos-fraternos.
ㅤㅤㅤAo contrário da maior parte das amizades que conquistei, descobri em teu corpo, admirado por centenas de olhares dissimulados retribuídos com teu caminhar suave, leve e confortável, um sentimento lindo, tão precioso como um diamante e certamente comparável a nada que haja visto até hoje. Tens uma personalidade forte, és uma mulher dominadora, porém carinhosa, gentil e afável! És também capaz de instaurar o caos, tens traços perigosos, raivosos e imperadores. Afinal, és uma mulher perfeita, uma amiga sincera, gostas de música, artes e encontros, festas e risos, cafés e devaneios. És uma diva aparentemente completa, em totais sentidos e expressões, mas tal qual uma flor usurpada, tens medo, receio e pecado. Choras em silêncio que eu sei, e não mostras a maquiagem borrada quando na verdade meus pensamentos estão longe, querendo apenas te confortar em meus braços, poder sentir o cheiro de teus cabelos e retirar de tua pele o tremor da ânsia, do frio e da angústia.
ㅤㅤㅤAssim que te vejo, quando olho em teus olhos: uma rainha verdadeira, uma princesa de contos de fadas ou uma diva espectral que envolveu-me em seu manto majestoso. Apesar dos negros olhos que tens, singelos e imponentes e com os quais já perdera horas de meu sono inquietando-me com a vontade de mergulhar em sua profunda escuridão, és suficientemente perfeita para que lhe diga que sempre estarei ao teu lado como amigo e admirador, pois te amo com todo meu amor fraterno! E assim como teus cabelos rebeldes ao vento, teus lábios cujos pensamentos meus acumulam devassos desejos e teu corpo estruturalmente modelado pelo deus maior deste universo, sou apaixonadamente um sonhador! Peço que perdoe minha cobiça, pois quis te ver nesta cama, enrolada em meu cobertor, para que pudesse lhe falar estas coisas lindas, enquanto meu pecado já enorme sempre fora este: amar verdadeiramente a quem me quer como melhor amigo."

28 junho 2013

Coincidências




Estávamos diante daquela multidão. Milhões de pessoas passam por aqui todos os dias. Vários caminhos diferentes se cruzam por um instante. Tantas vidas diferentes, opiniões. Por um milésimo de segundo essas vidas se encontram.
Foi desse jeito que te conheci. No meio daquela multidão éramos só mais dois. Duas vidas que se  cruzaram. Para sempre.
Te conheci de um jeito meio desastroso,  você ia correndo por essa rua e eu estava parada, olhando para o nada, simplesmente admirando a beleza da cidade grande.
 Você sem querer esbarrou em mim. Derrubando o sorvete que estava em minha mão. Como aquele sorvete estava delicioso. Mas tudo bem. Você de um jeito tão meigo me pediu desculpas e insistiu para que eu fosse com você até uma lanchonete. Você me deu outro sorvete. Só que esse estava ainda melhor. Ficamos conversando uns 25 minutos e já trocamos numero de celular.
Dois dias depois você me ligou e me perguntou se eu lembrava do “carinha” que havia derrubado meu sorvete. Como esquecer. Tudo bem que você não era o que se pode chamar de lindo, maravilhoso. Mas para mim você é perfeito. Começamos a sair. E depois começamos a namorar. Agora estamos casados. Sim. Casados.
Hoje tenho 32 anos, há 6 te conheci, há 1 casamos. Olho para aquela rua, que agora é de frente a nossa janela, e fico pensando “Quantas vidas por ali se encontraram, para sempre?” “Quantas vidas ali se desencontraram, para sempre?”.
Espero que o para sempre não se desencontre mas sim que se encontre.

23 junho 2013

Sonho-Flor


ㅤㅤㅤFoi-se o tempo do recolhimento, foi-se o tempo do pranto invisível. Eu, borboleta, incrível eu. Os homens se juntavam para me observar, rastejando sigilosamente pelos campos de batalha. E rastejava eu pelo verde que me embriagava, sem nem ligar ou me preocupar com o prestar de contas que teria eu ao pós-metamorfose. Até a fase de mudança nunca ousavam me tocar, e outras vezes passava despercebida. Na procura do conforto acolhi-me ao desconhecido canto que parecia — ah, mas parecia muito — com os campos abertos em que nasci.
ㅤㅤㅤApós me fechar por tanto tempo dentro dos muros que eu mesma fiz, sentia as asas se tremerem de dor pedindo para sair. A agonia consumia meus pensamentos de forma até... engraçada. Até que recuperasse as forças, ousei sonhar com o mundo lá de fora. E quando finalmente pus os pés ao ar contemplado pelo “resto”, ao bater asas como nunca antes, alcançando alturas e visões que nunca sonhei ter, me permiti dançar sobre as luzes claras daquela manhã. Farfalhando canções e ousando embelezar o que pudesse ver, me aproximei de tudo que tinha medo, parecia que nunca mais passava sem que olhassem. Comicamente tentavam me tocar, me alcançar. Eu via graça naquela busca, o que eu poderia proporcionar afinal?
ㅤㅤㅤAos poucos meu tamanho foi transformando o local em insuficiente, em pequeno, e eu queria... como queria... ir além das placas de vidraças que me prendiam aquele lugar. Recolhi as asas azuis, pois, só o frio eu me permitia sentir. Eu queria voar mais, para bem longe daquele lugar. Passei noites contemplando aquele céu, almejando aquele voo. E sem nem perceber o tempo se modificando, subestimei a mim e a todos os outros.
ㅤㅤㅤNo amanhecer de outras torturas um sentimento novo parecia rachar a secura que aquele lugar me havia permitido construir (dentro de mim). E eu me permitir voar, por mais que não pudesse ultrapassar todos aqueles limites. Me manter tão quieta foi como tirar o senso crítico dos meus olhos, ou eu havia adquirido alguma deficiência quanto as dimensões. Essa jaula é tão... imensa, misteriosa e não totalmente decifrada. Na tentativa de tocar o sol a impotência tensionou meus passos e imobilizou minhas asas. Como eu pude enxergar tão longe o horizonte e mal perceber o mar que se estendia diante de mim? Alcei voo encantadamente, e sem ponderar sobre as dores que ousaria ter, entendi que o tempo não iria parar porque me enferrujara. Que venha a meta desses dias longos, pois, deste por de sol adiante buscarei as flores mais altas, ou até mais baixas. Caçarei sorrisos. Buscarei uma flor pra contemplar.
Tamyris Kortschinski