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23 setembro 2013

Escritores digitais

Hoje vim falar sobre um assunto que me perturbou por muito tempo até que eu finalmente parasse pra pensar sobre isso. A nova categoria de escritores da época atual, na qual me incluo, a qual tem preferência em passar os dedos pelas teclas à segurar uma caneta. 


Grande parte da minha vida tentei me habituar a escrever a mão, tive um número incontável de caderninhos de vários tipos em que eu pudesse escrever, mas nunca me acostumei. Hoje faço parte de um grupo de pessoas (que honestamente não sei mensurar) que preferem escrever no computador. 

Eu devo ter perdido algumas noites pensando nisso, porque inicialmente eu me sentia incapaz, tecnológica e sem talento por não me habituar a escrever a mão. Especialmente porque tenho uma paixão grandiosa pelas coisas vintage e um dos meus dilemas é achar que nasci na época errada. Mas encontrei meu chão e quero partilhar com você!

“Só o talento não pode fazer um escritor. Por trás do livro deve haver um homem”.
Ralph Waldo Emerson

Hoje o meu papel aqui é mostrar o homem, ou melhor dizendo, a mulher por trás das palavras digitadas. Toda minha trama começou há alguns muitos anos atrás, num lugar chamado Mundo Fake, no Orkut. Se alguém quiser saber mais sobre isso eu posso fazer uma postagem, haha. Mas enfim, explicando por alto, existia uma comunidade chamada escritores fake (e a palavra fake falso não tem sentido pejorativo nesse caso). Eu sempre gostei muito de ler e tinha uma insônia constante em que pensava mil coisas e nesse lugar encontrei uma maneira de expressar o que tinha guardado dentro de mim.

Acontece que por mais de 14 anos eu vivi com os pensamentos agarrados em mim, sem falar, sem expor meus sentimentos, eu preferia manter isso entre eu e eu. E quando conheci essa válvula me envolvi, eu queria botar tudo pra fora. Eu nunca tinha reparado antes mas me sentia pesada com tantos sentimentos e memórias emboladas, era meu novelo de lã e eu precisava desenrolar. Então escrevi, escrevi, escrevi, escrevi até entrar em profunda depressão ao reconhecer os sentimentos que eu tinha.


Agora, ignorando toda a parte triste da história, a escrita foi minha recuperação completa. Você pode conferir nesse blog os antigos textos que escrevia; depois que o mundo fake não era mais divertido eu criei meu primeiro blog e assustei toda minha família com meus textos macabros e tristes.  E agora vem minha defesa pessoal quando à ferramente da era digital.

Eu prefiro, estou assumindo publicamente, escrever no computador. Assim como tudo na era atual meu cérebro é uma criança hiperativa, eu consigo pensar em um milhão de coisas em apenas uma hora de insônia antes de dormir. E crio personagens, companheiros, amigas, chefes, diretores, tenho uma porção de pessoas inventadas na minha cabeça. E a escrita no papel nunca supriu minha velocidade. Acredito que assim como eu, as pessoas que preferem escrever no computador não conseguem acompanhar os pensamentos utilizando uma caneta. Eu já tentei, e no final das contas eu tinha uma folha com um raio-x do meu cérebro: um novelo de lã. Tentei escrever rápido e minha letra miúda, de forma, se transformou em garranchos. Tinha momentos que eu sentia raiva e fazia ondinhas (como eu fazia aos 6 anos e não sabia escrever).

Acredito que o teclado é uma forma mais fácil, nítida. Eu tenho certeza que se digitar com raiva, extremamente rápido acompanhando meus pensamentos malucos, mesmo que eu troque letras eu ainda vou poder consertá-las com facilidade e meu texto será entendível. Foi uma maneira que encontrei de me expressar, de ser capaz de colocar pra fora meu pensamento, sem ter que diminuir minha velocidade interna! Sim, minha mente é um furacão em qualquer situação, não é a toa que eu prefira os ambientes que trazem paz — odeio multidão.

E você, prefere o bom e velho papel? É como eu? Estou ansiosa pra saber como as pessoas receberão essa informação, conhecer escritores de duas mãos, como eu. Eu admiro quem consegue escrever em papel, são pessoas centradas, capazes de controlar a si mesmas. Infelizmente não sou eu, eu sou um surto! Depois de comentar, lembre-se de deixar o link do seu blog, adoraria ler o que fica transbordando na sua mente <3

Beijinhos, Tatá.